Comunicação Coordenada

24/11/2022 - 08:30 - 10:00
CC3.32 - O DESAFIO DA PREVENÇÃO E CUIDADO NO ENFRENTAMENTO DA VIOLÊNCIA NO SUS

42150 - NÚCLEOS DE PREVENÇÃO À VIOLÊNCIA (NPV): DA POLÍTICA À IMPLEMENTAÇÃO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE (APS) SEGUNDO TRABALHADORES DE UNIDADES BÁSICAS DE SAÚDE (UBS)
MARINA SILVA DOS REIS - FMUSP, YURI NISHIJIMA AZEREDO - FMUSP, STEPHANIE PEREIRA - FMUSP, NAYARA PORTILHO LIMA - FMUSP, BEATRIZ DINIZ KALICHMAN - FMUSP, CECÍLIA GUIDA VIEIRA GRAGLIA - FMUSP, JANAÍNA MARQUES DE AGUIAR - FMUSP, LILIA BLIMA SCHRAIBER - FMUSP, ANA FLÁVIA PIRES LUCAS D’OLIVEIRA - FMUSP


Apresentação/Introdução
O cuidado à violência doméstica é um desafio para a Atenção Primária à Saúde (APS) pela alta prevalência e impactos na saúde. O município de São Paulo orienta a formação de NPV em todos os serviços de saúde como forma de efetivar a Linha de Cuidado (LC) para Atenção Integral à Saúde da Pessoa em Situação de Violência, sendo composto por equipe de no mínimo quatro profissionais.

Objetivos
Analisar documentos normativos da Secretaria Municipal de Saúde/SP e contrastá-los com as concepções de profissionais de UBS sobre a composição e funcionamento do NPV e seu papel na resposta assistencial à violência doméstica contra a mulher (VDCM).

Metodologia
Este estudo é parte de uma pesquisa que realizou e avaliou intervenção para aprimorar a resposta da APS à VDCM em 10 UBS paulistanas. A LC foi analisada nos aspectos de orientação do trabalho assistencial, especificamente relacionados à VDCM. Realizaram-se entrevistas semiestruturadas, entre julho de 2019 e agosto de 2020, com 54 trabalhadores, integrantes e não integrantes do NPV. O roteiro de entrevista abordou o cotidiano do trabalho, relatos de casos, papéis profissionais e a implementação do NPV. Foram elaborados e codificados temas emergentes nas falas dos entrevistados. Aqui analisa-se o tema “NPV”, contrastando-o com a política do município de enfrentamento à violência na saúde.

Resultados
Emergiram: (1) política reconhecida como em "eterna implementação"; (2) recrutamento e composição profissional baseados no interesse pessoal, história prévia de violência pessoal, área de formação profissional ou indicação unilateral da gestão; (3) atendimento em cuidado individual sem protocolo claro, sendo a notificação à vigilância epidemiológica compreendida como resposta principal aos casos; sobreposição entre NPV e NASF, situação em que assistentes sociais e psicólogas são vistas como as principais profissionais para lidar com o tema, seja por certa "psicologização" da violência, seja pela ideia do encaminhamento ou da vulnerabilidade social como aspectos principais do trabalho.

Conclusões/Considerações
A difícil implementação do NPV relaciona-se à indefinição do cuidado a ser ofertado. Há profissionais engajados com o tema, mas também uma tensão entre prover o cuidado e solicitações da gestão. São necessárias, além do apoio da gestão, supervisão, condições adequadas de trabalho e formação específica para que se lide com a atenção a casos de violência, que apresenta riscos inerentes e não é totalmente contemplada pela vigilância epidemiológica.